"...Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.." (Marcos 13)
 
       
 
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24/07/2020
Anjos e demônios na guerra espiritual de hoje
 

Anjos e demônios na guerra espiritual de hoje

quinta-feira, 23 de julho de 2020

A maior astúcia do demônio consiste em induzir a crer que ele não existe: é este o maior triunfo da sua habilidade. Da Escritura, de facto, sabemos que o demônio – além de ser homicida – mentiroso (cf. Jo 8, 44). Por tal razão, seria um erro muito pernicioso imaginar a acção do demónio como qualquer coisa de espectacular e, consequentemente, facilmente reconhecível. Isto é contra o seu propósito, que é enganar. Pelo contrário, a sua acção é, geralmente, subtil e oculta, e, portanto, apresenta as características da perversidade mais refinada. O seu fim último é impedir que as almas se unam a Deus e sejam salvas. E, para esse fim, mina a base da vida espiritual, que é a fé.      

Esta virtude teologal coloca-nos em contacto directo com Deus, embora na escuridão. Esse é o fundamento da vida sobrenatural e une-nos muito intimamente a Deus. O Concílio de Trento afirma que a fé «é o princípio, o fundamento, a raiz da justificação e, portanto, da santificação». Pela fé, afirma Mons. Guy, «a luz de Deus torna-se nossa luz, a Sua sabedoria torna-se nossa sabedoria, a Sua ciência torna-se nossa ciência, a Sua mente torna-se nossa mente, a Sua vida torna-se nossa vida». O demónio não pode entrar neste domínio reservado apenas a Deus e a alma que vive da fé está fora do seu poder. A fé é como uma armadura que defende a alma dos seus ataques e, portanto, o demónio usa toda a sua astúcia para fazê-la sair de si, deslumbrando-a com a vasta gama de maravilhas que ele pode operar: tudo isso para levar a alma a depender de algo que não seja a pura fé.   

Nos nossos dias, este é o maior perigo da proliferação selvagem de aparições e revelações que, sendo imitações do sobrenatural, são fortemente suspeitas de intervenção diabólica. São João da Cruz afirma que a fé – e não as revelações – é o meio para lutar pelo nosso fim, que é Deus, e que «a nua e pura fé infunde na alma mais amor a Deus do que todas as visões». A fé é o único meio proporcional para a união com Deus e, para esse fim, a alma deve apoiar-se na doutrina da Igreja e não nas revelações. «O demónio – continua o grande Carmelita – é muito hábil a insinuar mentiras, das quais só é possível libertar-se evitando todas as revelações, visões e locuções sobrenaturais».                 

A “gula do maravilhoso e do extraordinário” sempre foi uma tentação quase irresistível para o homem que, com o pecado, perdeu a visão de Deus. Mas a redenção do pecado reside, precisamente, na vida de fé. É na fé teológica, por mais escura, e não nas revelações, por mais maravilhosas, que se funda a vida do cristão.       

Não devemos esquecer que o diabo nos oferece sempre uma moeda falsa. É verdade que não é fácil para o homem peregrino, caído e resgatado, seguir sempre o caminho recto e manter constantemente o olhar fixo na verdade. E é igualmente verdade que Satanás tenta obscurecer o sentido da existência de Deus, deformar a visão, manipular tudo, com a ilusão e a desilusão: a luta com a sua inteligência angélica é desigual para as nossas forças limitadas de criaturas passageiras. Precisamos, então, de anjos que nos ensinem a caminhar como verdadeiros filhos da luz. Aos seus contemporâneos, Bossuet citava esta verdade de fé: «Vós acreditais que lidais apenas com homens; vós procurais só a esses satisfazer, como se os anjos não vos interessassem. Cristãos, não vos enganeis: existem seres invisíveis – os Anjos – que estão unidos a vós por meio da caridade». São Bernardo exortava assim os seus monges: «Irmãos em Cristo, amai os Anjos de Deus com ternura, como nossos co-herdeiros no futuro, mas, no intervalo, como advogados e guias dados a nós pelo Pai».    

São João da Cruz exortava os fiéis a imitarem a serenidade dos Anjos diante do mal, especialmente diante dos pecados do próximo, em vez de se entregarem a um zelo descontrolado ou a queixas estéreis. Quanto mais a alma avança na vida espiritual, mais a sua atitude em relação aos pecados e erros dos outros muda. «A alma comporta-se como os Anjos: estes estão perfeitamente conscientes de tudo o que causa dor, sem nunca sentirem dor; praticam as obras de misericórdia, sem provarem o sentimento de compaixão. O mesmo acontece com as almas elevadas a esta transformação de amor».

Todas as forças diabólicas que nos perseguem e nos preocupam, tanto na nossa vida pessoal quanto na vida da Igreja e do mundo, estão sempre e infalivelmente sob o controlo da Divina Providência, que usa as forças do mal como instrumentos privilegiados para purificar os eleitos. Em nenhum momento da história Deus perdeu o controlo dos acontecimentos. Mesmo nos períodos mais tempestuosos e perigosos, quando tudo parece colapsar, os Anjos bons dominam, sem contestação, os anjos rebeldes. O último dos Anjos bons governa o próprio Lúcifer e obtém a sua obediência, diz São Tomás. Esta supremacia baseia-se no facto de que a vontade dos Anjos bons é perfeitamente conforme aos planos de Deus, planos que, infalivelmente, se realizam sempre e em qualquer lugar. «Cada homem ou anjo, se unido a Deus, torna-se um só espírito com Ele e, portanto, é superior a qualquer outra criatura». Nisto está toda a nossa esperança e também a nossa força.     

A presença invisível dos Anjos é uma verdade de fé que infunde uma força de acção e contemplação extraordinária. Os nossos companheiros invisíveis são os primeiros protagonistas da acção contra-revolucionária que ocorre continuar na Igreja e no mundo. Eles conhecem o que ignoramos e veem no Verbo o que, para nós, é totalmente escuro. Mas como para ver a beleza das estrelas deve ser noite, para apreciar a presença dos Espíritos abençoados é necessário entrar na escuridão da fé, que é noite para os sentidos, mas luz ardente para a alma.

Cristina de Magistris

Através de Corrispondenza Romana

Fonte:http://www.diesirae.pt/2020/07/anjos-e-demonios-na-guerra-espiritual.html?

 
 
 

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