"...Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.." (Marcos 13)
 
       
 
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25/05/2020
A quarentena da Igreja no estado de São Paulo.
 

A quarentena da Igreja no estado de São Paulo.

25-05-2020

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Por FratresInUnum.com 

Na tarde de ontem, o Regional Sul 1, que compreende as dioceses do estado de São Paulo, da CNBB publicou uma nota em que informa que, em sua última reunião representativa, “foi refletido acerca da necessidade de se buscar convergência nas orientações dos bispos, visando a uma eficiente cooperação no sentido de se evitar a aglomeração causadora do aumento do contágio”.

Em seguida, explicou que “há consenso entre os bispos (do Regional) sobre a necessidade de se ter como ponto de partida as orientações emanadas do Governo do Estado, passíveis de desdobramentos diferenciados nos mais diversos municípios”. E, portanto, “medidas particulares, destituídas de uma visão mais ampla do conjunto das situações, podem comprometer o combate à pandemia, além de gerar mais pressão sobre quem tem a incumbência de tomar decisões nas áreas de maior incidência”.

Isso significa que os católicos do Estado de São Paulo, diferentemente dos outros Estados, não terão tão cedo o retorno das celebrações públicas — ao menos enquanto César não o quiser e determinar, para obediente e reverente acatamento episcopal. O próprio Regional “recomenda” aos bispos que não tenham outros encaminhamentos em suas dioceses. Lindo, não?! É a colegialidade conciliar aplicada: conferências episcopais, em “comunhão”, aniquilando a autonomia de governo dos bispos em suas dioceses. Com excessiva polidez, é um “Ai de quem destoar”! Ferirá a “comunhão” e, agora, ademais, “o combate à pandemia”! De cismático, qualquer bispo divergente se torna automaticamente também genocida.

Ai de quem, como o bispo de Cajazeiras (sorte dele estar na Paraíba!), ousar defender os direitos da Igreja e dos fiéis! Além da tirania estatal, terá de lidar que a tirania da “misericórdia” da Conferência Episcopal!

Para além de todas as lamentações acerca dos problemas sociais, os bispos não dão nenhuma palavra de conforto, solidariedade e compreensão para com os católicos que não suportam mais a privação dos sacramentos. Aliás, a explicação que a nota dá às súplicas dos fieis é interpretada como “compreensível fator de pressão”, provocado pelo “cansaço do isolamento do social” e também pelo “descompasso entre as opiniões das autoridades responsáveis”. A essa altura, surge uma pergunta: onde está a fé no coração desses bispos?

A resposta é muito simples. Estamos lidando com duas visões completamente antagônicas da função da Igreja no mundo: para os católicos, a missão da Igreja é salvar as almas pelos meios sobrenaturais, os sacramentos e a pregação da doutrina cristã. Para os bispos, formados segundo a teologia moderna, a missão da Igreja é a transformação social rumo ao igualitarismo e, por isso, os sacramentos são secundários, o mais importante é prática da “justiça”. Como explicava Leonardo Boff, é a primazia da ortopraxis sobre a ortodoxia.

É compreensível que, dadas as circunstâncias pandêmicas, a Igreja tenha de tomar precauções sérias quanto à aglomeração dos fieis. Contudo, a quarentena paulista já dura mais que a da Itália e a da Espanha sem que se dê qualquer alternativa de sobrevivência espiritual aos fieis. Enquanto isso, estamos assistindo a infração tirânica de direitos básicos dos cidadãos, e os bispos se posicionam de maneira a respaldar tudo isso, sem nenhuma palavra em defesa da liberdade de seus fieis, nenhuma palavra de preocupação pelo modo ditatorial como estão sendo tratados…

O que mais assusta, porém, é a forma como eles o fazem. Se quisessem entalar a observância de uma quarentena interminável, mas tivessem ao menos empatia com a fé dos católicos, dizendo explicitamente que o fazem a contragosto, que a carência dos sacramentos é uma tremenda provação, que os fieis rezem para que esta situação seja abreviada… ainda aliviaria a sensação de completo desprezo que os fieis têm. Mas não, isso está completamente fora dos seus horizontes.

Ao fim, precisamos entender que estamos lidando com uma Igreja e uma anti-Igreja, que já tomou conta da hierarquia católica quase que completamente e que os fieis estão praticamente privados de meios de ação, e que só lhes resta gritar, gritar a Deus e aos homens, protestar fortemente, protestar firmemente, até que os seus rogos sejam escutados.

Os bispos, quando não se comportam como mocinhos obedientes de quem quer que seja o mandatário esquerdista, dão-se ao trabalho de justificar a sua subserviência até com argumentos teológicos postiços, construídos artificialmente para dar-lhes suporte, como já mostramos em artigos anteriores.

Entretanto, se eles quisessem realmente minorar os nossos sofrimentos espirituais e psíquicos nesta quarentena, poderiam fazer-nos um favor: entrar em completa quarentena, se possível perpétua. Poupem-nos de suas notas incolores, politiqueiras, vergonhosas, deem-se conta de que ninguém mais os leva a sério (uma live, na semana passada, com Dom Joel, secretário da CNBB, era assistida pela multidão de 30 heróicas pessoas). Percebam a mágoa profunda que estão causando na alma dos seus fieis. No mais, resta-nos viver estes tempos sombrios confiando apenas em Deus, pois os homens já o traíram há muito tempo e trocaram a fé pelas opiniões circulantes.

Fonte:https://fratresinunum.com/2020/05/25/a-quarentena-da-igreja-no-estado-de-sao-paulo/

 
 
 

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