"...Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.." (Marcos 13)
 
       
 
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17/04/2015
Especialmente chamativo é o silêncio dos países ocidentais perante todas estas torturas
 

Especialmente chamativo é o silêncio dos países ocidentais perante todas estas torturas

17/04/2015

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/da/Demetrio_Fern%C3%A1ndez_Gonz%C3%A1lez_(2011).jpg

Madri, 16 de Abril de 2015 (Zenit.org)

Carta do bispo espanhol dom Demetrio Fernández sobre os cristãos perseguidos

No mundo inteiro, celebramos neste ano o centenário daquele genocídio armênio que eliminou um milhão e meio de cristãos só por serem cristãos. Ao longo do século XX houve outros extermínios. Em nossa pátria [a Espanha], nos anos 1930, nossos pais e avós sofreram perseguição e muitos deles o martírio (já reconhecido oficialmente pela Igreja). Antes, o mesmo aconteceu no México durante a revolução “cristera”. Depois, em muitos países do Leste da Europa. Ou na China, no Vietnã etc. Ao longo de toda a história, os cristãos foram perseguidos por serem cristãos. E o sangue dos mártires sempre foi semente de novos cristãos. Os perseguidores não sabem que, quanto mais perseguem, mais consolidam a fé cristã em tantos lugares da terra. E a Igreja abriu seu caminho ao longo da história em meio a perseguições e carências.

Outro tipo de perseguição, mais dissimulada, é a de amordaçar os cristãos nos países do ocidente, os países mais desenvolvidos, relegando a presença de Deus ao mais íntimo da consciência e estabelecendo uma “neutralidade” laica na sociedade civil. Trata-se de encarar a vida e a sociedade como se Deus não existisse, ou fazendo abstração de Deus. A confissão pública da fé é permitida, mas não a influência da fé na esfera pública, nem sequer quando os cristãos são a imensa maioria. Não estou falando de confessionalidade, mas de presença do cristão na esfera pública, dentro de uma sadia laicidade positiva. Neste contexto, a força do Evangelho é diminuída com o consumismo, a busca do prazer e da comodidade, o afã de ter mais, a corrupção em todas as suas formas. A fé corre mais perigo nestes ambientes relaxados do que naqueles em que os cristãos são perseguidos cruentamente.

Em nossos dias, essa perseguição sangrenta continua em lugares como a Terra Santa, o Iraque, a Síria, a Líbia, a Nigéria, o Quênia, produzindo listas inumeráveis de mártires só por serem cristãos. Não passa uma semana sem que tenhamos novas notícias desse tipo.

O que podemos fazer?

Em primeiro lugar, rezar por todos os que são perseguidos por causa da sua fé, para que o Senhor os fortaleça, console e assista. “Bem-aventurados sereis quanto vos insultarem, vos perseguirem e vos caluniarem de qualquer modo por minha causa. Alegrai-vos” (Mt 5,11), diz-nos Jesus. Ele previu que no mundo teríamos lutas e perseguições. Portanto, não é nada novo que os discípulos de Cristo sofram perseguição por causa do Evangelho: “A vossa recompensa será grande no céu”. Os mártires nos falam de outra vida, superior, da vida eterna a que chegamos pelo caminho dos mandamentos e à qual chegam diretamente os que são sacrificados por serem cristãos.

Mas temos ainda de ser sensíveis e ficar atentos para mostrar a nossa solidariedade para com os irmãos cristãos que sofrem por causa da sua fé. Especialmente chamativo é o silêncio dos países ocidentais perante todas estas torturas, e, pior ainda, a indiferença globalizada, como se este assunto não fosse conosco. Somos mais sensíveis diante dos que morrem de fome do que diante dos que morrem pela fé, e não deveria acontecer nem uma coisa nem a outra. Há caminhos para fazer a nossa ajuda material chegar a esses campos de refugiados que carecem de tudo, somente por serem cristãos.

E não nos esqueçamos nunca de que o perdão é uma característica cristã. De um coração ferido, sairia espontaneamente, cedo ou tarde, a vingança, o ódio, a revanche. Os nossos irmãos cristãos, porém, que morrem por ser cristãos, nos dão um precioso testemunho de amor, de amor supremo, perdoando inclusive a quem os tortura. Esse amor só pode brotar de um coração como o de Cristo, que, ao ser crucificado, perdoou seus inimigos: “Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34). Não é bom tapar e esquecer o passado. Recordamos para perdoar, recordamos para que as feridas sejam curadas, recordamos para aprender a amar sem medida.

http://www.diocesisdecordoba.com/wp-content/uploads/2012/11/sr_obispo2010.jpg

Recebam o meu afeto e a minha bênção;

+ Demetrio Fernández, bispo de Córdoba

 

Fonte:http://www.zenit.org/pt/articles/especialmente-chamativo-e-o-silencio-dos-paises-ocidentais-perante-todas-estas-torturas

 
 
 

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