"...Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.." (Marcos 13)
 
       
 
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18/02/2015
Mensagem para a Quaresma
 

Mensagem para a Quaresma

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

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Caros irmãos e irmãs,

Estamos vivendo o tempo santo da Quaresma.

Este tempo nos ajuda a retornar ao Senhor desde a dispersão da nossa vida, para redescobrir a nossa realidade de homens e mulheres frágeis, necessitados de perdão e de misericórdia. Todos precisamos do Amor dos amores, que é Deus.

Na vida, sofremos tantos medos. Tantas vezes, estes medos tomam conta de nós, nos fazem sofrer, nos isolam dos demais e principalmente, nos afastam de Deus.

Neste tempo santo, o Senhor vem ao nosso encontro, fala conosco, convida-nos suavemente a voltar para Ele, com todo o nosso coração e com toda a nossa alma.

O Senhor nos reúne como povo, como comunidade: “Reuni o povo, organizai uma assembleia solene; chamai os velhos, reuni as crianças, os bebes que se alimentam de leite, saia o esposo de seu quarto e a esposa de seu tálamo”. O Senhor quer que neste tempo estejamos juntos, sejamos um povo, não indivíduos separados, sós, quem sabe até em contraste uns para com os outros.

Temos necessidade que o Senhor reconstitua o seu povo, temos necessidade de tornar a ser o seu povo, a sua família, temos necessidade que as nossas cidades e os nossos interiores sejam comunidade, não lugares de solidão, sem um centro e sem um coração.

Mas como ser um povo? Como tornar a ser comunidade de fé nos lugares onde vivemos, quando, tantas vezes, fugimos uns dos outros, nos fechamos em nós mesmos, estamos sempre com pressa, não nos escutamos e não nos falamos com paciência, não temos tempo porque somos prisioneiros de nós mesmos? O Senhor nos conhece, compreende nossas fragilidades e nossos medos.

Na quarta feira de Cinzas, a Igreja nos propõe o rito antigo das cinzas, que foram colocadas sobre a nossa cabeça, enquanto o sacerdote repetia: “Lembra-te que és pó e em pó te hás de tornar”. Sim, somos pó, homens e mulheres fracos, mesmo que alguém se esforce de mostrar-se forte aos demais. O Senhor também sabe que a vida é, tantas vezes, dura. Ela não nos permite de parar...  Por isso, neste tempo, Ele nos acolhe de novo: quer ajudar-nos, curar o nosso coração e a nossa alma, fazer-nos repousar nele.

Já desde o seu início, a Quaresma nos indica este caminho.

Há quem viva para ser admirado, considerado, querido, no bem e no mal. Na verdade, há quem até mesmo faz o mal, quem se impõe sobre os demais com a prepotência para ser admirado e considerado. Basta pensar, por exemplo, nos inúmeros escândalos públicos que estamos assistindo. Pessoas que se tornam “pessoas honradas”, poderosas, cercadas de dinheiro e de bens materiais, que são admiradas pelo poder que detém, tudo isto a custa de roubos, desonestidades, golpes que prejudicam a inteira população.

Mas isto também acontece na vida comum e de pessoas comuns. Homens e mulheres que vivem de exterioridades, que desejam sempre estar no centro das atenções. Ficam com raiva e se entristecem quando não conseguem ser o centro de tudo. Um mundo cheio de aparências e de exterioridades. Julga-se e se olha só a partir do exterior, do aspecto físico, da riqueza, da força, da capacidade de impor-se aos demais.

Este é um mundo e uma Comunidade sem misericórdia, porque quem olha os demais só pelo exterior os julga segundo aquilo que consegue ver, em geral, quase nada de verdade. Um mundo cheio de protagonismos, de gente que faria de tudo para ser e estar sempre no centro das atenções. E, infelizmente, isto pode acontecer também em nossas Comunidades cristãs. Por isso, Jesus vem em nosso meio e nos indica de como viver este tempo santo, falando-nos da conversão, da esmola, da oração e do jejum.

A esmola que é um gesto de absoluta gratuidade, daquele que não espera receber nada em troca. Voltar-se, nesta Quaresma para os mais pobres e abandonados, os mais sofredores. Neles está Jesus.

A oração intensificada, que abre e cura a alma. Abre-nos ao Senhor, ensina-nos a Sua palavra, os seus gestos de amor. Aproveitar este tempo santo para receber o perdão de Deus no sacramento da Reconciliação e da penitência, confessando os nossos pecados. Viver, neste tempo, a Via Sacra. Visitar muitas vezes a Jesus no sacrário...

O jejum liberta o corpo da moleza, da escravidão dos sentidos. Mas há também um jejum espiritual, o jejum de nós mesmos, do próprio eu. O jejum do julgar os outros, o jejum do fofocar, o jejum do destruir a fama alheia...

Irmãos e irmãs, o tempo da Quaresma nos oferece a oportunidade de reentrar em nós mesmos, de aprender a doar e a doar-se com gratuidade, vivendo a misericórdia. É o tempo de rezar mais, de jejuar. É o tempo das decisões santas, o tempo de deixar que Deus nos mude. Há uma segunda frase que pode ser dita, na imposição das cinzas: “Convertei-vos e crede no Evangelho”.

Aproveitemos este tempo santo da Quaresma. Façamos a nossa parte. Deus não nos faltará com sua Graça, com o seu amor.

Boa e santa Quaresma a todos.

http://www.gaudiumpress.org/resource/view?id=92022&size=1

+ Dom Antonio Carlos Rossi Keller
Bispo de Frederico Westphalen

 

Fonte:http://www.encontrocomobispo.org/2015/02/mensagem-para-quaresma.html?

 
 
 

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